Suturas, rizonas, montagem e vozes em António Lobo Antunes
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Universidade de Santiago de Compostela. Servizo de Publicacións e Intercambio Científico
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Em termos de arquitectura narrativa, os primeiros romances de António Lobo Antunes (Memória de Elefante, Os Cus de Judas, Conhecimento do Inferno) pautam-se por uma justaposição constante de planos razoavelmente perceptível. Ou seja, a intersecção entre a realidade exterior e os diversos níveis de reminiscências (sobretudo memórias involuntárias) não se faz à custa de cortes fracturantes, que dificultariam a legibilidade do texto, antes através de suturas técnico-narrativas. O mesmo não sucede com os romances posteriores, onde predominam montagens desprovidas de demarcações nítidas. Deste modo, podemos dizer que a partir de Fado Alexandrino, romance cujo esquema narrativo abdica de um eixo-linear e aposta numa in-tersecção constante de múltiplos fios narrativos, a lembrar a noção de rizoma (Deleuze), a narrativa antuniana complexifica-se gradualmente, tornando-se não raro labiríntica e com zonas textuais opacas e inapreensíveis. Este modo de narrar apropria-se à intenção de Lobo Antunes de aceder à região profunda do pensamento verbal (o texto antes do texto, vale dizer, o absoluto interior da alma); daí a preferência do escritor por personagens em estado de semi-inconsciência, como acontece em Ontem Não Te Vi em Babilónia. Em registo fenomenológico, dir-se-ia que o romancista busca nesta dimensão pré-consciente a redução transcendental apregoada por Husserl.
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GUIMARÃES DE SOUSA, Sérgio: «Suturas, rizonas, montagem e vozes em António Lobo Antunes», Moenia. Revista lucense de lingüística e literatura. ISSN 1137-2346, vol. 16 (2010), pp. 399-410



