”Porque os corpos se entendem/mas as almas não”: Lupe Gómez e Olga Savary
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Universidade de Santiago de Compostela. Servizo de Publicacións e Intercambio Científico
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Um confronto entre Pornografia, da poeta galega Lupe Gómez, e
Magma, da brasileira Olga Savary, mostra que a primeira quer ser
substantivamente pornógrafa e a última, erógrafa. Lupe, numa
catarse a seu modo, expõe-se, coisifica-se, vende-se, machuca-se.
Olga é toda sensualidade, gozo, êxtase. A ambas pode-se e não se
pode aplicar o dístico de Manuel Bandeira: “Porque os corpos se
entendem / mas as almas não”. Aplica-se a Olga, porque é uma
poeta quase nada contemplativa, mas não se aplica, porque em
seus versos não é apenas o corpo que goza, mas a pessoa inteira.
Aplica-se a Lupe devido à carnalidade de seus versos, porém não
se aplica, porque neles não há entendimento entre os amantes, mas
mútua agressão. Olga transita do éros para o pórnos, mas não
consegue desvencilhar-se do envolvimento passional, e faz que o
pórnos acabe pondo-se a serviço do éros. Por outro lado, em Lupe
há irrupções do éros em meio ao pórnos, configurando um conflito
interior, uma profunda dor. Um balanço final mostra a vitória do
éros, que, para Platão, é a força propulsora que conduz o homem
a seu anseio mais profundo: o Bem, o Justo, o Belo. Lupe Gómez e
Olga Savary, como todos os poetas, por meio do eros, contemplam
a “beleza em si” e transfiguram-na em seus versos.
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MARCONDES E FERREIRA DE TOLEDO, Marleine Paula: «”Porque os corpos se entendem/mas as almas não”: Lupe Gómez e Olga Savary», Boletín Galego de Literatura, ISSN 0214-9117, N. 45, (1º Semestre 2011), pp. 207-223



