As competências emocionais nos decisores políticos portugueses

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O presente estudo teve como objectivo analisar a percepção dos decisores políticos portugueses acerca da importância da Competência Emocional (Sarni, 1999, 2002; Bisquerra, 1999, 2002; Veiga-Branco, 2004, 2005); no seu desempenho, bem como da identificação das variáveis preditivas da Competência Emocional (Veiga-Branco, 2004) naqueles decisores. A partir de tal percepção e identificação segue-se para a análise da correlação das capacidades da Competência Emocional, na procura dos indicadores fundamentadores do perfil emocional do decisor político português. A investigação recaiu sobre uma amostra composta por 165 respondentes, representando a população de decisores políticos de todos os órgãos de decisão do espectro político português, com excepção da Presidência da República. O desenho do estudo assenta em duas partes complementares e integrantes: uma de fundametação teórica, onde numa perspetiva dedutiva se alicerçam e fundamentam os conceitos operacionais da investigação, nomeadamente: os conceitos actuais de emoção e de competência emocional e as dimensões sociais onde se plasma de modo mais incisivo o papel do decisor político português, e respectiva pertinência para as comunidades, e nestas, a família e a educação. Estas duas últimas vertentes constituem, aliás, duas das traves mestras do desenho curricular do Curso de Doutoramento que frequentámos. A segunda parte do estudo, de carácter empírico, especifica os procedimentos metodológicos desenvolvidos, apresenta o tratamento e análise dos dados, e discussão dos respectivos resultados. Sendo um estudo de carácter eminentemente exploratório e correlacional, a presente investigação assentou numa metodologia mista, já que recorreu quer à dimensão quantitativa, quer à qualitativa. O instrumento que possibilitou a recolha de dados foi a Escala Veiga de Competência Emocional (Veiga-Branco, 2011), instrumento devidamente validado (Agostinho, 2008; Lopes, 2013; Mendonça, 2009; Veiga-Branco2005; Vilela, 2006) e cujas questões permitem configurar a Competência Emocional através de cinco sub-escalas correspondentes às cinco capacidades que inserem o modelo da Competência Emocional. O Instrumento de recolha de dados foi enviado inicialmente em suporte de papel, tendo posteriormente sido informatizadoe enviado por mail e validado em link específico. O tratamento estatístico foi executado através do programa SPSS, 20. Os resultados da investigação apresentam: 1). Uma boa percepção da Competência Emocional por parte dos elementos da amostra; 2). As cinco capacidades inerentes ao modelo teórico de Competência Emocional (Veiga-Branco, 2005) apresentam também nesta amostra, correlações positivas e estatisticamente significativas com a variável dependente em estudo: a Competência Emocional; 3). A capacidade que mais directamente se correlaciona com a Competência Emocional é a Gestão das Emoções em Grupos (r=.764) e a que estabelece menor valor de correlação é a Autoconsciência (r=.626) ; 4). A maior parte dos elementos da amostra , n=157, ( 95,2%) sente satisfação no desempenho do seu papel de decisor político; 5). Esta percepção de satisfação vai diminuindo com a idade e experiência no respectivo desempenho. A partir dos resultados encontrados, o estudo, após traçar algumas das linhas do perfil do decisor político português, avança a com uma proposta de perfil do decisor político emocionalmente competente, proposta que implica desde logo uma remodelação nos processos de escolha e educação destes agentes socio-políticos, acentuando-se, sobretudo, a perspectiva de decisor emocionalmente ressonante, (Boyatzis & McKee, 2006) em face de certa descaracterização provocada pelo centralismo partidário.

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