A crise global e o impacto sobre a economia real europeia: análise do efeito riqueza e o papel do Banco Central Europeu

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A crise financeira global representa o mais grave colapso surgido nas últimas décadas, apresentando-se como uma ameaça ao crescimento econômico das principais economias. O forte impacto da crise nos conduz a importantes reflexões. Primeiro, sobre a identificação e análise das suas causas. Segundo, em torno dos possíveis canais de transmissão que se transladam do campo financeiro ao setor real da economia. Terceiro, em torno do papel desempenhado pelos bancos centrais durante a gestão da crise global. Neste contexto, este trabalho tem o propósito de cumprir um triplo objetivo, dividido em três grandes partes. Na primeira parte se realiza uma análise teórica da gênese da crise bem como uma reflexão analítica dos elementos determinantes assim classificados de fatores imediatos e estruturais. A segunda parte de natureza teórico-empírica tem por objetivo avaliar o impacto que a crise produz sobre a economia, através da análise do canal do efeito riqueza, diante de um contexto marcado por intensas restrições de crédito. Para tanto, analisa-se a evolução dos níveis de riqueza e seu efeito sobre o consumo privado, utilizando macrodados agregados de dez países da Eurozona no período trimestral 2000-2010. Em síntese, os resultados sugerem a existência de um efeito riqueza positivo e significativo sobre o consumo. Além disso, constata-se um predomínio do efeito riqueza financeiro sobre o imobiliário, revelando uma maior sensibilidade do consumo frente às variações dos ativos financeiros. Na sequência é desenvolvida uma análise crítica na terceira parte em torno do papel cumprido pelo Banco Central Europeu (BCE) em resposta à crise, examinando em que medida suas atuações de política se orientam em direção ou não à prevenção de crises futuras. Adicionalmente, são examinadas outras questões relacionadas com o BCE, preços de ativos e estabilidade financeira. Em linhas gerais, pode-se concluir que todas as medidas empregadas pelo BCE têm, até o momento, efeitos bastante limitados no sentido de resolver as causas imediatas e, sobretudo as causas estruturais apontadas neste trabalho. Embora seja verdade que, de acordo com as causas estruturais, muitas medidas estejam fora do alcance da política monetária.

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