Riscos para a saúde pela exposição ocupacional às radiações cósmicas em pilotos de linha aérea
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Universidade de Santiago de Compostela. Servizo de Publicacións e Intercambio Científico
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Nesta investigação desde a revisão bibliográfica, sobre o conhecimento do
ciclo solar, radiações cósmicas, os seus efeitos na biologia e em particular nos
pilotos de linha aérea, a sua idealização, planeamento, desenho,
desenvolvimento, realização, conclusões e sugestões, foram levados em conta
um conjunto de conceitos, procedimentos e técnicas que pensamos terem
contribuído de forma decisiva para os resultados encontrados.
Assim, é conhecido que a radiação ionizante pode produzir lesões ao nível do
DNA, proteínas e outras moléculas. Este estudo contempla a realização de
vários testes clínicos e bioquímicos para determinar a possibilidade de
existência bem como a extensão dos danos induzidos pelas radiações
cósmicas.
A acontecerem, as possíveis lesões poderão ser causadas pela produção de
espécies radicalares, como os radicais anião superóxido e hidroxilo. Nos
possíveis danos a nível celular estão incluídos, hipoteticamente, danos devido
a reacções de oxidação‐redução de nucleótidos, hidrolizações nas cadeias
simples e cadeias duplas de ácidos nucleicos (DNA, mas também RNA), bem
como cross‐links entre moléculas de DNA, de proteínas ou mesmo entre
moléculas de DNA e proteína.
Para diferentes organismos (de bactérias ao ser humano), e em condições
normais, vários sistemas são activados na presença de radicais. Entre eles
estão incluídas as enzimas dismutases do superóxido, peroxidases, catalases e
outras enzimas que reagem com espécies reactivas de oxigénio (Reactive
Oxygen Species, ROS) ou substratos que podem ajudar à formação de ROS para
evitar ou minimizar danos oxidativos (ferritinas).
Os estudos existentes apontam para uma fraca correlação entre um único
parâmetro/patologia e a exposição às radiações cósmicas às quais os pilotos de
linha aérea estão inerentemente sujeitos. Numa primeira análise poder‐se‐á
concluir que os níveis de exposição não são significativos, mas existe o perigo
potencial de estarmos a interpretar de forma incorrecta os dados publicados,
ou de não termos dados suficientes para a correlação necessária. Considerouse
benéfica a utilização combinada de testes clínicos de rotina em medicina
com testes especialmente desenvolvidos para o efeito e uma análise
multiparamétrica dos mesmos. Procurou‐se que estes testes estivessem
desenhados para a monitorização das respostas dos sistemas de defesa e
reparação de danos.
Desta forma, neste estudo está proposto e ensaiado um teste baseado na
quantificação da capacidade de destruição de espécies radicalares pelo sangue
através de espectroscopia de ressonância paramagnética electrónica. Estes
têm em conta a capacidade que uma determinada amostra de sangue tem em
eliminar uma quantidade conhecida e quantificável de radicais (radical
hidroxilo), gerados através de uma reacção de Fenton.
Adicionalmente, os produtos da oxidação do DNA e danos proteicos, no caso, a
8‐hidroxi‐2'desoxiguanina foi quantificada num fluido biológico (urina). Desta
forma, podem ser feitas tentativas para monitorizar danos através de produtos
metabólicos de stress oxidativo causado pela exposição ocupacional às
radiações cósmicas.
Foi também tentada a obtenção de dados para a resposta fisiológica à
capacidade antioxidante através de ensaios 'in vitro', com recurso a um “kit
biológico” composto por amostras de proteínas e ácidos nucleicos. Este Kit foi
exposto às radiações cósmicas no cockpit, durante o voo, tendo sido os danos
monitorizados com metodologias bioquímicas correntes, tais como métodos
electroforéticos. Verificou‐se posteriormente que o tipo de ensaio desenhado
não era o mais adequado para este tipo de controlo, sendo que não foi
possível distinguir entre os efeitos causados pela exposição à radiação nas
amostras versus os controlos.
Simultaneamente, a exposição dos pilotos de linha aérea às radiações cósmicas
foi avaliada por métodos directos e indirectos. Como método directo recorreuse
à utilização de um contador Geiger (TEPC). O método SIEVERT foi usado
como método indirecto de avaliação da exposição às radiações cósmicas.
Neste caso, todos os voos monitorizados foram utilizados para o
cálculo/estimativa das doses recebidas e os resultados comparados com os
valores obtidos pelo método directo. Em alguns casos seleccionados foi
também utilizado o método CARI‐6, também usado por diversas companhias
de linha aérea, permitindo assim uma comparação mais alargada entre
diferentes metodologias.
Para todos os pilotos envolvidos no estudo foi calculada uma estimativa da
dose recebida durante o período da duração da investigação através do
método SIEVERT, sendo neste caso avaliados 7405 voos com duração
correspondente a 25668 horas.
No contexto do estudo foram utilizadas duas amostras constituídas por 49
expostos (pilotos de linha aérea da TAP Portugal e membros da APPLA) e 35 de
controlo (força de trabalho da Vicaima, SA). Estas amostras resultam da
aplicação de critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos e não
ultrapassando um número global que impossibilitasse o estudo por motivos de
recursos humanos e financeiros.
Os resultados obtidos foram analisados em conjunto, recorrendo a uma análise
multiparamétrica, com o objectivo de encontrar um efeito comum nas diversas
variáveis estudadas, permitindo desta forma elaborar uma metodologia que
fosse capaz de distinguir as duas amostras em estudo.
Foi possível demonstrar a existência de uma correlação positiva entre as
variáveis ferritina, hemoglobina e estimativa de exposição a radiação cósmica
estimada (Sievert) e negativa com a variável 8OHG. Estas observações
suportam a hipótese de que o metabolismo dos pilotos está adaptado a
impedir a formação de espécies reactivas (ROS, RNS) e a potenciar a taxa de
reparação de bases de DNA, num ambiente de pressão parcial de oxigénio
inferior à normal (ao nível do mar).
Em total concordância está o facto da capacidade antioxidante poder ser
interpretada com uma correlação negativa versus a razão 8OHG/creatininuria,
como seria de esperar num ambiente intracelular em que uma maior
capacidade de evitar a formação de espécies que contribuam para o stress
oxidativo leva a menores danos.
Os resultados são também bastante claros em relação a um dogma existente
na literatura. Ainda que limitados a amostra de pilotos do estudo, com
características próprias das rotas efectuadas pela TAP Portugal, é notória a
diferença da dose recebida por pilotos de médio e longo curso. Após
normalização das doses recebidas para as horas voadas, podemos constatar
que os pilotos de médio curso possuem em média valores significativamente
maiores de dose recebida do que os pilotos de longo curso.
Apesar de não ser possível falar de um efeito cumulativo normal, não é de todo
impossível pensar que a exposição ocupacional a que um piloto de linha aérea
está sujeito possa provocar um desgaste no sistema metabólico. Este desgaste
pode levar a que, em idades mais avançadas da carreira, a resposta a lesões a
nível da informação genética ou de stress oxidativo não sejam as adequadas e
que por esse motivo se venham a desenvolver determinadas patologias. Ainda
que nenhum estudo sistemático exista, esta observação parece ser apoiada
pela menor esperança média de vida que se observa em pilotos de linha aérea.
É de ressalvar a novidade com a aplicação dos testes bioquímicos a um estudo
deste género, que pela primeira vez tenta correlacionar diferentes variáveis
com possíveis alterações fisiológicas.
Estamos em crer que o futuro sucesso desta metodologia passa pela sua
aplicação ao número elevado de indivíduos, permitindo assim passar para uma
utilização em larga escala na comunidade, aí sim, já com interesse em
diagnóstico clínico corrente.
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OLIVEIRA DA SILVA, Rodrigo: «Riscos para a saúde pela exposição ocupacional às radiações cósmicas em pilotos de linha aérea». Santiago de Compostela: Universidade. Servizo de Publicacións e Intercambio Científico, 2011. ISBN 978-84-9887-621-5
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