RT Dissertation/Thesis T1 Riscos para a saúde pela exposição ocupacional às radiações cósmicas em pilotos de linha aérea A1 Oliveira da Silva, Rodrigo K1 Medicina AB Nesta investigação desde a revisão bibliográfica, sobre o conhecimento dociclo solar, radiações cósmicas, os seus efeitos na biologia e em particular nospilotos de linha aérea, a sua idealização, planeamento, desenho,desenvolvimento, realização, conclusões e sugestões, foram levados em contaum conjunto de conceitos, procedimentos e técnicas que pensamos teremcontribuído de forma decisiva para os resultados encontrados.Assim, é conhecido que a radiação ionizante pode produzir lesões ao nível doDNA, proteínas e outras moléculas. Este estudo contempla a realização devários testes clínicos e bioquímicos para determinar a possibilidade deexistência bem como a extensão dos danos induzidos pelas radiaçõescósmicas.A acontecerem, as possíveis lesões poderão ser causadas pela produção deespécies radicalares, como os radicais anião superóxido e hidroxilo. Nospossíveis danos a nível celular estão incluídos, hipoteticamente, danos devidoa reacções de oxidação‐redução de nucleótidos, hidrolizações nas cadeiassimples e cadeias duplas de ácidos nucleicos (DNA, mas também RNA), bemcomo cross‐links entre moléculas de DNA, de proteínas ou mesmo entremoléculas de DNA e proteína.Para diferentes organismos (de bactérias ao ser humano), e em condiçõesnormais, vários sistemas são activados na presença de radicais. Entre elesestão incluídas as enzimas dismutases do superóxido, peroxidases, catalases eoutras enzimas que reagem com espécies reactivas de oxigénio (ReactiveOxygen Species, ROS) ou substratos que podem ajudar à formação de ROS paraevitar ou minimizar danos oxidativos (ferritinas).Os estudos existentes apontam para uma fraca correlação entre um únicoparâmetro/patologia e a exposição às radiações cósmicas às quais os pilotos delinha aérea estão inerentemente sujeitos. Numa primeira análise poder‐se‐áconcluir que os níveis de exposição não são significativos, mas existe o perigopotencial de estarmos a interpretar de forma incorrecta os dados publicados,ou de não termos dados suficientes para a correlação necessária. Considerousebenéfica a utilização combinada de testes clínicos de rotina em medicinacom testes especialmente desenvolvidos para o efeito e uma análisemultiparamétrica dos mesmos. Procurou‐se que estes testes estivessemdesenhados para a monitorização das respostas dos sistemas de defesa ereparação de danos.Desta forma, neste estudo está proposto e ensaiado um teste baseado naquantificação da capacidade de destruição de espécies radicalares pelo sangueatravés de espectroscopia de ressonância paramagnética electrónica. Estestêm em conta a capacidade que uma determinada amostra de sangue tem emeliminar uma quantidade conhecida e quantificável de radicais (radicalhidroxilo), gerados através de uma reacção de Fenton.Adicionalmente, os produtos da oxidação do DNA e danos proteicos, no caso, a8‐hidroxi‐2'desoxiguanina foi quantificada num fluido biológico (urina). Destaforma, podem ser feitas tentativas para monitorizar danos através de produtosmetabólicos de stress oxidativo causado pela exposição ocupacional àsradiações cósmicas.Foi também tentada a obtenção de dados para a resposta fisiológica àcapacidade antioxidante através de ensaios 'in vitro', com recurso a um “kitbiológico” composto por amostras de proteínas e ácidos nucleicos. Este Kit foiexposto às radiações cósmicas no cockpit, durante o voo, tendo sido os danosmonitorizados com metodologias bioquímicas correntes, tais como métodoselectroforéticos. Verificou‐se posteriormente que o tipo de ensaio desenhadonão era o mais adequado para este tipo de controlo, sendo que não foipossível distinguir entre os efeitos causados pela exposição à radiação nasamostras versus os controlos.Simultaneamente, a exposição dos pilotos de linha aérea às radiações cósmicasfoi avaliada por métodos directos e indirectos. Como método directo recorreuseà utilização de um contador Geiger (TEPC). O método SIEVERT foi usadocomo método indirecto de avaliação da exposição às radiações cósmicas.Neste caso, todos os voos monitorizados foram utilizados para ocálculo/estimativa das doses recebidas e os resultados comparados com osvalores obtidos pelo método directo. Em alguns casos seleccionados foitambém utilizado o método CARI‐6, também usado por diversas companhiasde linha aérea, permitindo assim uma comparação mais alargada entrediferentes metodologias.Para todos os pilotos envolvidos no estudo foi calculada uma estimativa dadose recebida durante o período da duração da investigação através dométodo SIEVERT, sendo neste caso avaliados 7405 voos com duraçãocorrespondente a 25668 horas.No contexto do estudo foram utilizadas duas amostras constituídas por 49expostos (pilotos de linha aérea da TAP Portugal e membros da APPLA) e 35 decontrolo (força de trabalho da Vicaima, SA). Estas amostras resultam daaplicação de critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos e nãoultrapassando um número global que impossibilitasse o estudo por motivos derecursos humanos e financeiros.Os resultados obtidos foram analisados em conjunto, recorrendo a uma análisemultiparamétrica, com o objectivo de encontrar um efeito comum nas diversasvariáveis estudadas, permitindo desta forma elaborar uma metodologia quefosse capaz de distinguir as duas amostras em estudo.Foi possível demonstrar a existência de uma correlação positiva entre asvariáveis ferritina, hemoglobina e estimativa de exposição a radiação cósmicaestimada (Sievert) e negativa com a variável 8OHG. Estas observaçõessuportam a hipótese de que o metabolismo dos pilotos está adaptado aimpedir a formação de espécies reactivas (ROS, RNS) e a potenciar a taxa dereparação de bases de DNA, num ambiente de pressão parcial de oxigénioinferior à normal (ao nível do mar).Em total concordância está o facto da capacidade antioxidante poder serinterpretada com uma correlação negativa versus a razão 8OHG/creatininuria,como seria de esperar num ambiente intracelular em que uma maiorcapacidade de evitar a formação de espécies que contribuam para o stressoxidativo leva a menores danos.Os resultados são também bastante claros em relação a um dogma existentena literatura. Ainda que limitados a amostra de pilotos do estudo, comcaracterísticas próprias das rotas efectuadas pela TAP Portugal, é notória adiferença da dose recebida por pilotos de médio e longo curso. Apósnormalização das doses recebidas para as horas voadas, podemos constatarque os pilotos de médio curso possuem em média valores significativamentemaiores de dose recebida do que os pilotos de longo curso.Apesar de não ser possível falar de um efeito cumulativo normal, não é de todoimpossível pensar que a exposição ocupacional a que um piloto de linha aéreaestá sujeito possa provocar um desgaste no sistema metabólico. Este desgastepode levar a que, em idades mais avançadas da carreira, a resposta a lesões anível da informação genética ou de stress oxidativo não sejam as adequadas eque por esse motivo se venham a desenvolver determinadas patologias. Aindaque nenhum estudo sistemático exista, esta observação parece ser apoiadapela menor esperança média de vida que se observa em pilotos de linha aérea.É de ressalvar a novidade com a aplicação dos testes bioquímicos a um estudodeste género, que pela primeira vez tenta correlacionar diferentes variáveiscom possíveis alterações fisiológicas.Estamos em crer que o futuro sucesso desta metodologia passa pela suaaplicação ao número elevado de indivíduos, permitindo assim passar para umautilização em larga escala na comunidade, aí sim, já com interesse emdiagnóstico clínico corrente. PB Universidade de Santiago de Compostela. Servizo de Publicacións e Intercambio Científico SN 978-84-9887-621-5 YR 2011 FD 2011-06-23 LK http://hdl.handle.net/10347/3084 UL http://hdl.handle.net/10347/3084 LA por NO OLIVEIRA DA SILVA, Rodrigo: «Riscos para a saúde pela exposição ocupacional às radiações cósmicas em pilotos de linha aérea». Santiago de Compostela: Universidade. Servizo de Publicacións e Intercambio Científico, 2011. ISBN 978-84-9887-621-5 DS Minerva RD 27 abr 2026