RT Journal Article T1 A voz e o canto na terapia além da experiência estética T2 Voice and singing in therapy beyond aesthetic experience A1 Casal de la Fuente, Lucía K1 Voz K1 Canto K1 Terapia K1 Experiência estética K1 Musicoterapia K1 Voice K1 Singing K1 Sing K1 Aesthetic experience K1 Therapy K1 Music therapy AB Atualmente um dos métodos mais misteriosos da musicoterapia ativa é a cantoterapia. Masde onde vem a conjuntura explicativa das propriedades terapêuticas da voz nas pessoas?Os conhecimentos que unem som com os efeitos nos seres vivos são bem antigos. Graças àsabedoria do budismo sabemos das vibrações geradas no corpo devido aos sons, das rodasde energia produzidas consequência disto e das suas propriedades terapêuticas.Comprovadas as repercussões das vocalizações e a influência da receptividade dos sons nocorpo, as pesquisas orientaram-se cara à cantoterapia, onde a criatividade e improvisaçãovocal são elementos essenciais na melhora do nosso estado psíquico e físico.O canto começou sendo uma atividade e experiência formalmente estética, mas as investigaçõescontemporâneas indicam que todo o que nos pode aportar o cantar vai além damera beleza.Na China, a Índia e na Grécia foram numerosos os livros que trataram o poder dos sonspara curar e revigorar o organismo. Segundo o budismo tântrico e a ioga, o som cósmicotransmite ao corpo humano a força vital. O corpo está composto por “nadis” - canais quefazem circular a energia no corpo - (BENCE e MÉREAUX, 1988). Os nadis concentramsedos órgãos genitais ao crânio em sete chacras ou centros energéticos em relação à saúdefísica e mental que correspondem a certos estados de consciência. Dependendo do graude domínio destes ou do predomínio de um na nossa personalidade, a influência exercidasobre o ambiente que nos rodeia será diferente.Quase todos os sons emitidos pelos instrumentos são combinações de vibrações. Paracada som percebemos mais intensamente a vibração fundamental; as outras são chamadasharmônicas. A série de sete chacras corresponde aos sete primeiros sons da escala das harmônicas.A série de harmônicas é infinita, mas os intervalos que as separam reduzem-seconstantemente. O ouvido humano não pode distinguir mais dos compreendidos nas seteoitavas, e nenhum instrumento emite a gama completa de fundamentais e harmónicos.Os analisadores são aparatos que permitem descompor os timbres e capturar os diferentesparâmetros dos sons. O fonógrafo proporciona uma imagem visual (o sonograma), quecorresponde exatamente com as qualidades dos sons percebidos.Em harmonia com Bence e Méreaux (1988), o estudo dos monogramas da voz, quecomportam espectros de linhas harmônicas muito nítidas para as vocais, permite deter335minar os chacras predominantes duma pessoa. O Dr. Philip Lieberman mostrou que cadapessoa tem uma “marca vocal”. Quando a voz se desvia dela é porque experimentamosuma emoção.Marie-Louise Aucher descobre no s. XX conexões entre o som e a vibração do corpo humano,fundando a Psicofonia, abordagem inovadora no ensino da utilização da voz e docanto, e reconhecida pela Academia de Ciências de Paris (AUCHER, 1968). Descobriuem 1960 a receptividade dos sons pelo corpo humano em conformidade com as zonassensíveis, cantando perto dos órgãos. Revelou correspondências vibracionais entre os sonse o corpo humano e estabeleceu uma escala de sons associados a pontos energéticos damedicina chinesa. A partir dela, ajustou o seu método de reeducação psicossomática enfocadono trabalho da voz.Esta é uma das muitas evidências que suportama ideia de que voz e canto ocasionamefeitos muito positivos para o bem-estar das pessoas, de aí que hoje se enquadre a cantoterapiadentro da musicoterapia ativa, pois cantar requer ação e participação.Diz-se que o canto improvisado permite exteriorizar sentimentos. Mas o que é isso deimprovisar?Recio (2005, p. 14) entende por criatividade “a capacidade de pensar de forma flexívelque se manifesta através de várias soluções alternativas (em geral, não convencionais) àsnecessidades ou problemas que se apresentam”.Na música, dentro da criatividade está a improvisação: um recurso valioso que estimulaa criatividade das participantes. Ao improvisar em musicoterapia, a clientela trabalha nadescoberta de caminhos, inventando opções, contrastando alternativas e projetando esforçosno tempo (BRUSCIA, 1999). Embora esses esforços têm lugar dentro de um quadrode trabalho musical, são vistos como uma metáfora, para o que o cliente precisa aprenderou obter na vida. “Explorando as diferentes possibilidades da voz humana enriquece-se orepertório de imagens auditivas” (GLOVER, 2004, p. 81). A improvisação também podeevocar imagens reais, memórias, etc.Mas, como hão de ser essas improvisações?Segundo Glover (2004), podem ser livres ou começar com regras. Criar oportunidadespara improvisar e compor é simples: só precisamos da voz. Improvisar no canto é desenharcom voz o que sentimos, sem recorrer a palavraspara a compreensão. É fazer música comvoz; compor in situ, no aqui e agora.A Psicofonia marcou um antes e um depois na pesquisa sobre voz e corpo. Foi um achadoadiantado por ter sido feito por uma mulher: no s. XX para as mulheres era complicadoaceder à pesquisa. Destaca-se também aqualidade e novidade da achega científica.A música e o canto, por pertencerem às Belas Artes, têm uma característica estética indubitável,mas não é a única. Quando fazemos música ou cantamosvivemos uma experiênciaestética, ademais de musical: sentimos a beleza, masos sons que nos rodeiam também nosalimentam de energia positiva para o nosso bem-estar. É uma forma de autoeducar-nos.Música e canto, como produtores de sons, têm muito que achegar ao mundo, mais do quea beleza com a que apareceram para se quedar. E que não vão embora nunca. PB Universidade Federal do Río Grande do Sul SN 2525-3778 YR 2016 FD 2016 LK http://hdl.handle.net/10347/15507 UL http://hdl.handle.net/10347/15507 LA por NO Casal de la Fuente, Lucía (2016).A voz e o canto na terapia além da experiência estética. Anais do II Simpósio de estética e filosofia da música “Música, Filosofia e Bildung” (SEFIM). Experiências Estéticas e Educação Musical, 2(2), 334-336. ISSN: 2525-3778. Dispoñible en http://www.ufrgs.br/sefim/ojs/index.php/sm/article/view/367/305 NO II Simpósio de estética e filosofia da música “Música, Filosofia e Bildung” (SEFIM) NO Ministerio de Economía e Competitividade. DS Minerva RD 29 abr 2026