Influência dos conhecimentos dos pacientes na não-adesão à terapia medicamentosa: desenvolvimento e avaliação de um modelo comportamental teórico em pacientes crónicos com diabetes tipo II
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O estudo dos fatores associados à não adesão à terapia, é importante para que
estratégias de intervenção possam ser implementadas com sucesso. Neste
sentido, o objetivo deste trabalho é avaliar um modelo comportamental teórico
de adesão à terapia medicamentosa, assim como a prevalência e os fatores
preditores de não adesão e a influência do conhecimento sobre as crenças de
saúde relacionadas à terapia.
O estudo foi realizado em 5 Frequesias do Concelho de Espinho, região norte
de Portugal, com um desenho transversal e multicêntrico. A população do
estudo foi composta por sujeitos com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2,
com idades igual ou superior a 65 anos, em uso contínuo e auto-administrável
de fármacos hipoglicemiantes orais e cadastrados nos Centros de Saúde. Os
dados foram obtidos através de entrevista pessoal e domiciliar, sendo a adesão
verificada através de auto-relato, A amostra foi constituída por 207 sujeitos,
com idade média de 73,71±5,224 anos, sendo 53,62% de mulheres. Cerca de
63% tinha no máximo 4 anos de ensino, enquanto 21% não tinham nenhuma
instrução. Os sujeitos estudados apresentaram baixo nível de conhecimento da
Patologia (38,37±19,34) e médio-baixo da Terapia (50,19±13,73), e evidenciam
baixa percepção de barreiras à terapia (29,79±13,77) e de estímulos
percebidos (47,84±12,71) é média de gravidade da doença (66,62±11,68) e de
benefícios da terapia (66,57±13,49).
A adesão à terapêutica farmacológica foi de 38,16%, sendo o descuido com o
horário (4,39±1,05) e o esquecimento (4,80±0,85) os principais motivos
referidos para a não-adesão. Na análise multivariada, os fatores
independentemente associados à adesão foram Conhecimento da Patologia
(OR=1,042), Informação Recebida (1,074) e Relação Médico-paciente (1,023),
enquanto os associados à não adesão foram Gênero (OR=0,179), Tempo de
Doença (OR=0,038), Preocupação com Complicações (OR=0,906), Barreiras
Físicas e Psicológicas (OR=0,930) e Barreiras Sociais (OR=0,885).No modelo
comportamental teórico verificou-se uma influência dos estímulos percebidos, e
do conhecimento da terapia diminuindo a percepção de barreiras, a qual se
traduz em melhores níveis de adesão.
Os resultados indicam uma baixa adesão à terapia, assim como baixo
conhecimento, e sugerem a necessidade de implantação de estratégias
adequadas de orientação, que possam influenciar as crenças
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