Glíptica romana en Portugal
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Com o título de Glíptica Romana em Portugal, esta Tese de
Doutoramento teve como objectivo inicial criar um Corpus dos exemplares
glípticos romanos encontrados (em escavações ou achados fortuitos) e
existentes no nosso país (em Museus e colecções particulares).
Após uma longa Introdução no Capítulo I, em que se analisa o
conceito de Glíptica, a sua origem e evolução (de meados do Séc. VI a.C. ao
Séc. XX), o seu estudo em Portugal, a Metodologia usada na sua
investigação (quanto aos materiais usados para a gravação de gemas, suas
formas, sua temática e datação), a referência às gemas nos autores clássicos
(com especial ênfase para Plínio-o-Velho, nos Livros XXXVI e XXXVII da
sua Historia Naturalis), a sua proveniência na Antiguidade (destacando, de
um modo especial, a exploração, em solo português, da granada em Belas-
Sintra, do quartzo nas serras de São Mamede e de Marvão e, provavelmente,
da calcedónia, na Amadora), passou-se ao estudo individual das mais de
cinco centenas de exemplares que compõem o nosso Catálogo. Para tal, teve
que proceder-se previamente à “recolha” de exemplares existentes em
Museus e colecções privadas, em citações bibliográficas e relatórios de
escavações e através do contacto pessoal com arqueólogos dirigindo
escavações. Passada esta fase (extenuante, até pelas múltiplas viagens que
implicou), procedeu-se ao estudo individual de entalhes e camafeus, no
respeitante ao material em que estão gravados, aos temas que neles figuram
e seus paralelos e ao estudo da sua iconografia e respectiva simbologia.
Feito esse estudo individual das gemas, procurou-se, depois, analisar
certos aspectos globais, no tocante às suas caraterísticas (materiais, formas,
perfis e temas predominantes, período em que mais terão sido populares – o
imperial e, mais especificamente, o Séc. II d.C. – e a distribuição dos seus
achados em Portugal, para o que se elaborou um Mapa de Distribuição dos
Achados), os aspectos económicos e sociais que, a partir delas, podemos
deduzir (reconstituição de rotas comerciais e de movimentação de povos e
exércitos, dados económicos e sociais das populações que as terão usado, as
relações entre zonas das cidades e o achado de peças glípticas e a existência
de oficinas de Glíptica, nomeadamente nas cidades de Bracara Augusta e
Ammaia) e o contributo da Glíptica para o estudo da Romanização em
Portugal (quanto ao nível cultural das populações, à Onomástica, às crenças
mágicas e às crenças religiosas, em que Eros e os acompanhantes de
Dionysos têm uma especial relevância, entre as divindades greco-romanas, e
Ísis e Ártemis Efésia entre as orientais).
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